quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Dança e Educação

                                           
            

Ainda nos dias atuais a dança e a Educação mostraram-se pertencentes a universos antagônicos, diferentes, distantes e isolados, como se uma negasse a outra, não podendo estar aliadas porque a dança unifica o homem, a educação precisa dividi-lo; a dança une os homens, a educação os separa; a dança não visa à produção, a educação visa primeiramente e fundamentalmente à produção. Porém é chegado o momento de desmistificação de tal concepção e mostrar o elo Dança-Educação, diante das contribuições que apresenta para a formação crítica e para o desenvolvimento integral do ser humano.


Ao ingressar na escola a criança traz consigo um conhecimento amplo a respeito de seu corpo, mas que muitas vezes não foi despertado. A criança nasce, desenvolve-se e cresce, vivenciando experiências através do próprio corpo. Este é o meio de ação para explorar e conhecer o espaço em que vive, interagindo com as pessoas que a cercam. Em todas as fases, observa-se a importância do corpo como forma de expressar emoções. Não é possível ouvir uma música sem que seu corpo a traduza em movimentos. Antes de o homem falar, ele dançou. Foi por meio do movimento que ele comunicou com os seus e com a natureza. A dança ligada à música foi a primeira manifestação humana. Ela foi na pré-história uma forma de comunicação, religião, divertimento e conhecimento

Desta forma, não poderia a dança ser uma forma de educação? Segundo Steinhilber (2000, p. 8): “Uma criança que participa de aulas de dança [...] se adapta melhor aos colegas e encontra mais facilidade no processo de alfabetização.”

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A dança na escola não deve priorizar a execução de movimentos corretos e perfeitos dentro de um padrão técnico imposto, o que gera competitividade entre os alunos. Deve partir do pressuposto de que o movimento é uma forma de expressão e comunicação do aluno, objetivando torná-lo um cidadão crítico, participativo e responsável, capaz de expressar-se em variadas linguagens, desenvolvendo a autoexpressão e aprendendo a pensar em termos de movimento.







O aprendizado da dança deve integrar o conhecimento intelectual e criatividade do aluno, desenvolvendo os pilares da educação:
    1) aprender a conhecer;
    2) aprender a fazer;
    3) aprender a viver juntos;
    4) aprender a ser.
As propostas de Laban e Freinet podem integrar-se numa proposta de ensino de Dança Educativa nas escolas, por contribuírem para o desenvolvimento do educando nos aspectos:
    1) aprendizagem
    2) compromisso
    3) cidadania
    4) responsabilidade
    5) interesse
    6) senso-crítico
    7) criatividade
    8) desenvolvimento
    9) socialização
    10) comunicação
    11) livre – expressão
    12) respeito
A proposta de Rudolf Laban possibilita ao aluno expor-se por seus próprios movimentos. Não ensina apenas a forma ou a técnica, mas educa conforme o vocabulário de movimento de cada um, contribuindo para o desenvolvimento emocional, físico e social do participante.

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Para Achcar (1998), a dança desenvolve estímulos como: tátil – sentir os movimentos e seus benefícios para o corpo; visual – ver os movimentos e transformá-los em atos; auditivo – ouvir a música e dominar o seu ritmo; afetivo – emoções e sentimentos transpostos na coreografia; cognitivo – raciocínio, ritmo, coordenação; motor – esquema corporal, coordenação motora associada ao equilíbrio e flexibilidade.

A dança educativa revela a alegria de se descobrir através da exploração do próprio corpo e das qualidades de movimento. Através da utilização de uma metodologia específica, busca-se o alcance de qualidades físicas e psíquicas próprias da infância e da adolescência.





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